Plataforma Alto Alentejo XXI

O terceiro debate da Plataforma Alto Alentejo XXI realizou-se no dia 22 de março, no Auditório da Escola Secundária D. Sancho II, em Elvas, e teve como tema a Educação, Formação e Qualificação.

Na abertura do debate, o Presidente do Conselho Executivo da CIMAA, Armando Varela, disse que o objetivo do debate não é apenas fazer um diagnóstico da situação no Alto Alentejo mas definir um rumo a seguir, ultrapassando os desafios que se colocam. O Presidente deixou claro que o papel da escola "não é só formar universitários, mas formar homens e mulheres."

O Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), Joaquim Mourato, defendeu que "se o país conseguir ultrapassar a crise com mais portugueses qualificados, já ganhámos alguma coisa, pois ficámos mais preparados para enfrentar o futuro", sublinhando a importância de "incutir um espírito empreendedor nos jovens". O Presidente do IPP defendeu que a elevada concentração de alunos do ensino superior no litoral do país, em detrimento do interior, é negativa porque existe uma ligação entre o sucesso das instituições de ensino superior e o desenvolvimento das regiões em que se inserem. Joaquim Mourato considerou que o "desfasamento entre o número de vagas e o número de candidatos ao ensino superior leva a uma excessiva concentração de alunos no litoral do país e escassez nas instituições do interior", apontando como solução "um maior equilíbrio entre a oferta e a procura, o que levaria a que mais alunos optassem pelas instituições do interior do país." O Presidente do IPP terminou a sua intervenção sugerindo a criação de um Conselho Regional de Educação do Alto Alentejo, sob o patrono da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA).

A Diretora Regional de Educação do Alentejo, Maria Martin, sugeriu que a educação, formação e qualificação devem estar adequadas às diferentes regiões em que se inserem, para dar resposta às necessidades da sociedade e preservar a identidade regional. "É necessária uma maior articulação entre a oferta formativa e os índices de empregabilidade - não deixando de ir ao encontro da vontade dos jovens, mas orientando-os", acrescentou a Diretora Regional, que terminou a sua intervenção afirmando que "a verdadeira qualificação é aquela que prepara os alunos para serem bons no mercado de trabalho".

O Delegado Regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) do Alentejo, José Palma Rita, afirmou que o principal objetivo das formações do IEFP é reforçar a empregabilidade das pessoas, quer ajudando a que não percam o emprego que têm, dando-lhes mais qualificações para executarem as suas tarefas, ou ajudando os desempregados a conseguir um novo emprego, com formações adequadas às exigências do mercado. José Palma Rita falou numa "inversão de prioridades" para a formação, adequando-a aquilo que são as necessidades atuais e futuras do mercado de trabalho.

A Presidente da Câmara Municipal de Nisa, Gabriela Tsukamoto, questionou qual deverá ser o papel das autarquias no âmbito da educação, denunciando a falta de acolhimento que as sugestões do município têm tido por parte do Ministério da Educação. A Presidente defendeu que a centralização excessiva dos serviços escolares traz estabelecimentos demasiado grandes, onde se juntam crianças de diferentes faixas etárias e se criam ambientes propícios à violência escolar. Gabriela Tsukamoto disse que "o Ministério quer gastar menos, fechando as escolas mais pequenas, mas depois gastam-se muito mais recursos a transportar crianças do que o que se gastava com a contratação de um professor, para além do desgaste que estas viagens significam para as crianças", dando o exemplo das crianças de 1º ciclo que os transportes deixam às 8:30h nas escolas, quando as aulas só começam às 9h.
A Diretora do Agrupamento de Escolas nº 2 de Elvas, Fátima Quaresma, queixou-se dos poucos apoios sociais que existem para a recuperação de alunos em situação de insucesso escolar. Fátima Quaresma defendeu que o Ensino Especial precisa urgentemente de mais profissionais.

Gonçalo Pacheco, professor e coordenador no Agrupamento de Escolas nº 1 de Portalegre, defendeu uma escola inclusiva, que em vez de afastar alunos difíceis, promova o desenvolvimento humano e dê aos alunos ferramentas adequadas às suas caraterísticas e direcionadas à consecução dos seus objetivos de vida. O professor chamou a atenção para o facto dos alunos com familiares em situação de desemprego recente não estarem a ser devidamente acompanhados pelos serviços de apoio social. Gonçalo Pacheco afirmou que o número mínimo exigido para a abertura de cursos especializados (15 alunos) não é viável, especialmente para uma zona com pouca densidade populacional, como o Alto Alentejo. O professor sugeriu a criação de uma rede de oferta formativa entre concelhos vizinhos, para solucionar a pouca oferta.

A Diretora da Escola Secundária D. Sancho II (Elvas), Fátima Pinto, mostrou-se preocupada com o aumento do insucesso escolar, que aumenta o risco de exclusão social. A Diretora apelou à necessidade de criação de gabinetes de mediação para acompanhar as famílias cujos menores não manifestam vontade de frequentar a escola/formação, assim como aulas de apoio individual para os alunos com mais dificuldades.

Para terminar, Luís Capucha, docente dos ISCTE-IUL e investigador do CIES – IUL, falou sobre as mudanças positivas no sistema de ensino, reforçando que "não há desenvolvimento sem qualificação".

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